Posts com Tag ‘wikileaks’

Por Gordon Duff

No mês passado um blefe conspiratório deu uma mágica revelação sobre o 11 de setembro.

Richard Clark apontou o dedo para o ex-diretor da CIA, George Tenet, declarando que a CIA “permitiu” aos sequestradores operarem livrementes no 11/09.

A lógica? Tenet e a CIA tinham planos de “usá-los” de alguma forma, talvez transformá-los em agentes duplos ou até mesmo agentes triplos. O que há de errado com este quadro?

Eu me sinto como se estivesse dando um passo atrás no tempo.

É 1963 e Lee Oswald, técnico da Marinha, espião russo, agente da CIA, pró-Castro, ativista anti-Castro, com apenas um tiro acertado no presidente Kennedy, em seis tentativas, sendo três tiros disparados por três diferentes direções, matou Kennedy e feriu o governador do Texas John Connelly, enquanto Oswald estava em uma sala de jantar lotada de testemunhas.

Não obstante o fato do rifle estar com sua mira quebrada ou Oswald ter matado um policial com um revolver cujo calibre eram diferentes da munição encontrada (a “super” pistola semi-automática Colt), o mito do “atirador solitário” ainda permanece.

Agora estamos tendo mais do mesmo com o 11/09. Posso dizer “não obstante” novamente?

Mesmo se alguém fosse acreditar que milhares de toneladas de aço vaporizados magicamente com alguns litros de querosene, a estória das “Torres Gêmeas”, o 11/09 desmoronou anos atrás, quando a própria Comissão de Investigação distanciou-se de suas próprias conclusões as taxando como “fraude”.

Então, sólidos e irrevogáveis fatos vieram, o Edifício 7 foi uma implosão controlada, algo que exige meses de preparação, mas noticiadamente feito em 20 minutos.

O outro elo fraco, o Pentágono, um ataque com mísseis: nenhuma aeronave poderia ter feito isso, já há muito provado, nenhum piloto seria capaz, nenhum avião poderia ter realizado tal manobra, não há destroços alguns em um dia e apenas alguns pedaços “novinhos” no outro.

Passado isto, desvendamos o drama do voo 93, as chamadas telefônicas, o assalto a cabine, tudo inventado, não foram feitas nenhuma ligação, tudo invenção.

Mais seriamente, a ideia de sequestradores também se desfez.  Não havia provas que eles existissem além de algumas pequenas evidências, obviamente plantadas e fortes reivindicações nunca comprovadas, nunca seguidas de provas concretas.

Não existiram sequestradores, nada de arabes armados com estiletes com treinamento “Cessna” melhor que instrutores de Top Gun. Foi tudo armado, tudo-tudo.

Após 10 anos de mentiras, de torturas, de trilhões de dólares roubados, da América no Afeganistão o maior cartel de drogas que sempre sonharam, 10 anos de contos de fadas e agora, de repente, Richard Clark, fraco, infame e “filhinho da mamãe” aponta o dedo a Geroge Tenet.

O diretor da CIA sempre foi odiado pela Casa Branca de Bush, alguém mantido nas sombras, deixado de lado por Cheney [vice de G.W.Bush] em sua “privatização”, um perfeito otário.

Com o aniversário de 10 anos, cada vez mais a mão de Israel é vista no 11/09, não apenas em websites de conspiração ou de “antisemitas”, mas de analistas.

A história “atualizada”: Israel usaria seus agentes sobre todo o território dos EUA, que estariam “fazendo sombra” aos sequestradores enquanto outros, equipe após equipe, estariam em Nova York, reconhecidamente informando os avanços dos ataques, “documentando”.

O problema aqui, todo relatório confiável vindo do “marco zero” diz que as explosões começaram ANTES dos aviões acertarem qualquer coisa, então explosão seguida de explosão. Filmagens mostram as explosões. Evidência forenses mostram explosivos. Evidências sísmicas mostram explosivos.

Então temos Richard Clarke, anos depois, falando sobre sequestradores novamente, as ligações telefônicas que nunca aconteceram, os pilotos mágicos, os aviões impossíveis.

Por que Clarke?

Normalmente, histórias como estas, histórias promovendo acobertamentos, histórias de “teoria de jogos”, vem de Julian Assange e Wikileaks. Sempre o mesmo, esmola demais o santo desconfia. Wikileaks?

Traficar complôs contra Irã e Israel usando sujeira recolhida dos EUA, não é tarefa difícil lá,  cuidadosamente “semeado” como Zbigniew Brzezinski  disse em dezembro de 2010, com informações pontuais de uma agência de inteligência.

Wikileaks é Mossad e os “amigos” do Wikileaks são “hasbara”, os ajudantes que servem as agências de inteligência de Israel.

Mas o Wikileaks deu com os burro n’águas, tão obviamente que se tornou uma piada.

Agora tudo que restou para vender a história dos sequestradores com estiletes é enfraquecer Richard Clarke, uma figura menor, no planejamento do 11/09, um “pateta” da Casa Branca apontando seu dedo para o pobre Geroge Tenet, o diretor da CIA que nunca dirigiu a CIA.

Tudo isso, é claro, este teatro barato, encobrindo Israel, encobrindo Bush, encobrindo Cheney e Rumsfeld, por Rove e Ashcroft, por Gonzales, por Mike Harari.

Usando Clarke, “Sr. Cabeça de Batata”, para vender o pobre George Tenet como mandante do crime do século, tudo que posso dizer é: Boa sorte!

Anúncios

“Civilization will not last, freedom will not survive, peace will not be kept,

unless a very large majority of mankind unite together to defend them and show themselves

possessed of a constabulary power before which barbaric and atavistic forces will”

 Winston Churchil


Grande Guerra terá início a qualquer momento

Liberdade é ameaçada em todo ocidente livre

A MAFIAA ( MAFIAA™ – Music And Film Industry Association of America) conseguiu em poucos dias apoio da esquerda, direita e etcs e querem transformar a União Européia em uma China, com controle de conteúdo, censura prévia, etc.

Este é o inevitável início de uma GRANDE GUERRA da Internet, de um lado os autoritários fascistas e do outro os que lutam pela liberdade.

BRASIL também está nessa

Como reveleu o Wikileaks,
os EUA apóiam a idéia de que no BRASIL possa existir uma nova lei de MÍDIA como existe em outros países – nos moldes que se propõe a MAFIAA.

O governo brasileiro já sinaliza com esta idéia através dos PNDH ao mesmo tempo que recebe coro com membros da “oposição” tucanóidica, que apresenta projetos de controle e censura pela internet. Aqui tb a “esquerda” e “direita”, seguirão a MAFIAA.
Seguindo a sede pelo controle da população do Ato Patriota, o governo americano já se empenha em estratégias globais e um plano de defesa cibernética que inclui o uso até de força militar.

Facebook, Google e Yahoo

Já apresentaram modelos funcionais de como reprimir e censurar, além de terem suas databases nas mãos dos serviços de Inteligência esperando apenas o sinal positivo para a implantação do “Grande Firewall” – – e o mundo entrará definitivamente sob uma autoridade única GLOBALISTA – – uma Nova Era das TREVAS.
Em todo cyberspaço estão convocados para a luta contra os tiranos !

A Folha e Jornalões brasileiros publicavam e repetiam que as Forças Armadas queriam o caça sueco.

Lula queria o caça francês. “Carla Bruni vem junto do avião?” Perguntou o presidente a Sarkozy.

E Jobim queria o caça americano.

Talvez Jobim tenha vencido essa, graças aos “leaks” pontuais do WikiLeaks.

Seguindo a “AGENDA” da WikiLeaks, mais uma matéria:

EUA tentaram usar Saito e Jobim para venda dos caças

A disputa pela venda de 36 caças para as Forças Aéreas Brasileiras foi palco de grande atuação da representação americana no Brasil. Documentos obtidos pelo WikiLeaks revelam que a embaixada procurou o ministro da Defesa, Nelson Jobim e o comandante da FAB Brigadeiro Juniti Saito para influenciar na decisão. Ao mesmo tempo, instava o governo americano a se mexer, assim como o francês estava fazendo.

A menos de um mês do final do governo Lula, a compra dos caças continua sem definição e deve ser decidida pela presidente eleita Dilma Rousseff. Nesta semana, ela retoma a discussão em reunião com o ministro Jobim.

Lobby

Mas desde maio de 2009, a embaixada americana em Brasília tenta fazer com que o governo dos EUA se engaje mais na disputa. Em um telegrama do dia 19, (CLIQUE AQUI), a Ministra Conselheira Lisa Kubiske pediu que Washington faça um lobby mais intenso, pois alguns contatos brasileiros “dizem não acreditar que o governo dos Estados Unidos esteja apoiando a venda fortemente”, enquanto o presidente francês Nicholas Sarcozy estaria envolvido diretamente e os suecos estariam atuando “em nível ministerial”.

Kubiske acredita que a falta de atuação pessoal “é uma desvantagem crítica em uma sociedade brasileira na qual os relacionamentos pessoais servem de fundação para os negócios”, e refoça que o governo deve assumir posição favorável à aprovação de transferências de tecnologia.

“A embaixada recomenda o seguinte, como próximos passos a fim de reforçar nossos argumentos no que tange à transferência de tecnologia: uma carta do presidente Obama ao presidente Lula defendendo a causa; uma carta da secretária Clinton ao ministro da Defesa Jobim afirmando que o governo americano aprovou a transferência de toda a tecnologia apropriada.”

Também recomenda tentar influenciar senadores que vistariam os EUA em junho daquele ano. “Concentrando as atenções em senadores importantes, temos a oportunidade de conquistar o apoio de indivíduos que podem influenciar os responsáveis pela decisão e garantir que as pessoas que terão de aprovar os dispêndios do governo brasileiro compreendam que o F-18 lhes oferece mais valor”.

Para Lisa, a campanha francesa é mentirosa: “Nos últimos meses, o esforço francês de vendas vem se baseando em alegações enganosas, se não fraudulentas, de que seu caça envolve apenas conteúdo francês (o que o isentaria dos incômodos controles de exportação dos Estados Unidos). Mas isso não procede. Uma análise da Administração de Segurança da Tecnologia de Defesa encontrou alta presença de conteúdo norte-americano, o que inclui sistemas de mira, componentes de radar e sistemas de segurança que requererão licenças norte-americanas”

Aliados

A decisão americana em atuar mais fortemente foi vista com apreciação pelo brigadeiro Juniti Saito, comandante das Forças Armadas.

Por causa da atuação pessoal de Obama, que conversou com o presidente Luís Inácio Lula da Silva na cúpula do G8 em Áquila, na Itália, em 9 de julho de 2009, Lula teria instruído Jobim e Saito a conversarem com o Conselheiro de Segurança Nacional, general James Jones, segundo revela um telegrama de 31 de julho de 2009 (CLIQUE AQUI).

“Ela (a conversa) abriu as portas para que eu pudesse procurar o embaixador, como fiz”, teria explicado Saito durante um jantar por ocasião da visita do comandante do Comando Sul, o general Doug Fraser.

Na ocasião, Saito chamou o embaixador Sobel e seu conselheiro político de lado para indicar que preferia o F-18 ao francês Rafale. E afirmou que não existia dúvida, do ponto de vista técnico, que americano era o melhor avião. “Voamos equipamento americano há décadas e sabemos que é confiável e que sua manutenção é simples e oferece bom custo/benefício por meio do sistema de vendas militares externas”.

Saito insistiu ainda que o governo americano enviasse a carta que ele havia pedido se comprometendo com transferência de tecnologia. O embaixador teria dito que a carta estava na fase final de aprovação. “Aliviado, Saito disse que precisava ter a carta em mãos no dia 6 de agosto”, relata o telegrama assinado pelo embaixador Clifford Sobel. “Essa foi a expressão mais clara de que Saito pretende recomendar o F18”.

Em 5 de janeiro, pouco antes da mudança de embaixador, Lisa Kubiske envia outro telegrama (CLIQUE AQUI) dizendo que a embaixada vai tentar influenciar Jobim para convencer o presidente. “Permanece, entretanto, o formidável obstáculo de convencer Lula. Nosso objetivo agora deve ser garantir que Jobim tenha argumentos reforçados ao máximo possível para ir a Lula em janeiro”. Para ela, o “alto preço” do Rafale e “as dúvidas sobre o desenvolvimeno do Gripen” levariam o Super Hornet a ser a “opção óbvia”. Mas “o fato é que Lula reluta em comprar um avião dos EUA”.

Um dos últimos telegramas obtidos pelo WikiLeaks (CLIQUE AQUI) relata uma conversa telefônica entre Nelson Jobim e o atual embaixador dos EUA, Thomas Shannon, em 5 de fevereiro deste ano. O embaixador Shannon fez pressão, dizendo que “apesar da venda ser conduzida como uma transação comercial, a sua importância para a relação bilateral não deve ser ignorada”. Segundo ele, “a decisão inédita de trasnferência de tecnologia americana em apoio ao Super Hornet mostra o alto grau de confiança que o governo americano coloca na sua parceria com o Brasil”.

Patriota, Irã e Haiti

Antonio Patriota, anunciado como futuro ministro das Relações Exteriores durante o próximo governo, também foi alvo de lobby sobre os caças. Durante uma reunião de uma hora no dia 4 de fevereiro, ouviu que a decisão de liberar toda a tecnologia necessária ao Brasil refletia uma mudança de paradigma para os EUA e ouviu que a decisão ainda não estava tomada.

Mas ouviu mais. Segundo o relato de Shannon (CLIQUE AQUI), Patriota comentou ainda a situação do Irã, que na época sofria pressões contra mais uma rodada de sanções contra seu programa nuclear. Teria dito que o Brasil quer “evitar uma repetição do Iraque”, e que se havia uma saída diplomática, ela deveria ser adotada. “A desconfiança é grande (sobre o Irã). Nós nunca sabemos o quão sinceros, mas vamos continuar tentando”, concluiu. O embaixador recomendou ao governo brasileiro que se movimentasse com cautela em relação ao Irã.

Sobre a situação do Haiti, que havia sofrido um terremoto em 12 de janeiro, Patriota teria dito: “nós teríamos que encontrar uma forma de contornar a escolha entre um governo corrupto no Haiti e colocar tanto dinheiro nas mãos de ONGs não-haitianas”.

Os telegramas fazem parte de milhares de documentos da embaixada e consulados dos EUA no Brasil que serão publicados pelo WikiLeaks nas próximas semanas.

A mais valiosa commodity que eu conheço é a informação
Gordon Gekko
Em segredo, Brasil monitora e prende suspeitos de terrorismo

Natalia Viana, especial para WikiLeaks

São Paulo, Brasil – A polícia federal e a ABIN seguem dicas da inteligência americana para realizar operações de contraterrorismo no país. É isso que mostram alguns telegramas enviados pela embaixada dos EUA em Brasília para Washington obtidos pelo Wikileaks.

Segundo os documentos – os primeiros de milhares enviados pela missão americana no Brasil obtidos pela organização – a polícia federal e a ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) monitoram a presença de suspeitos de terrorismo em solo nacional desde pelo menos 2005.

“A Polícia Federal frequentemente prende indivíduos ligados ao terrorismo, mas os acusa de uma variedade de crimes não relacionados a terrorismo para não chamar a atenção da imprensa e dos altos escalões do governo“, relatou o embaixador Clifford Sobel em janeiro de 2008.

O governo sempre negou a existência de atividades terroristas no Brasil.

Almoço

No dia 4 de maio de 2005, o general Armando Félix esteve em um almoço na casa do então embaixador americano John Danilovich, que ficou no cargo até 2006.

Segundo o relatório enviado a Washington (See cable 05BRASILIA1207), Felix teria dito que é importante que as operações de contraterrorismo sejam ‘maquiadas’ da maneira apropriada para não afetar negativamente a “orgulhosa” e “bem-sucedida” comunidade árabe no Brasil.

Pouco antes, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional havia agradecido entusiasmadamente o apoio dos americanos através do RMAS – Regional Movement Alert System, um sistema que detecta passaportes inválidos, perdidos ou falsificados. A partir de informações do RMAS, a ABIN e a PF estariam monitorando “indivíduos de interesse” no país.

“Além das operações conjuntas conosco, o governo brasileiro também está pedindo que filhos de árabes, muitos deles empresários de sucesso, vigiem árabes que possam ser influenciados por extremistas ou grupos terroristas”, diz o relato. Para Félix, é de total interesse da comunidade “manter potenciais extremistas na linha”, evitando assim chamar a atenção mundial para os árabes brasileiros.

A preocupação em manter segredo sobre as operações anti-terrorismo foi uma constante durante o goveno Lula. Desde 2006, a administração tem protestado contra menções de atividades ligadas ao terrorimo na tríplice fronteira com o Paraguai e a Argentina, incluídas no relatório anual do governo dos EUA.

Em parte, isso se deve a uma discrepância formal: o governo americano considera o partido libanês Hezbollah e o palestino Hamas como terroristas, enquanto o Itamaraty os considera partidos legítimos. Os dois têm grande apoio dentre a comunidade árabe na tríplice fronteira.

Prisões “disfarçadas”

Mas para além das diferenças no discurso, os documentos vazados pelo Wikileaks mostram que na prática a polícia brasileira age frequentemente a partir de informações da inteligência americana.

“A sensibilidade ao assunto resulta em parte do medo da estigmatização da grande comunidade islâmica no Brasil ou de que haja prejuízo para a imagem da região (da tríplice fronteira) como destino turístico. Também é uma postura pública que visa evitar associação à guerra ao terror dos EUA, vista como demasiado agressiva”, analisa outro embaixador americano, Clifford Sobel, que esteve no cargo de 2006 a 2010.

Segundo o telegrama enviado por ele em 8 de janeiro de 2008 (LINK – 136564), a preocupação em não admitir atividades suspeitas de terrorismo seria maior ainda dentro do Ministério de Relações Exteriores. Por isso, diz Sobel, o Brasil participa “relutantemente” das reuniões anuais sobre segurança que reúne diplomatas, oficiais de segurança e inteligência da Argentina, Paraguai e Brasil com os EUA para discutir segurança na tríplice fronteira.

Na verdade, a região não é prioridade quando se trata de terrorismo. “A principal preocupação em contraterrorismo tanto para oficiais brasileiros quanto para a missão americana é a atividade de indivíduos ligados ao terrorismo – em particular diversos suspeitos extrermistas sunitas e alguns indivíduos ligados ao Hezbollah – em São Paulo e em outras áreas do sul do Brasil”, relata Sobel.

O telegrama revela que, apesar da retórica em contrário, a Polícia Federal, a Receita Federal e a Abin “monitoram” atividades suspeitas de terrorismo e “seguem todos as pistas passadas a elas”.

“A Polícia Federal frequentemente prende indivíduos ligados ao terrorismo, mas os acusa de uma variedade de crimes não relacionados a terrorismo para não chamar a atenção da imprensa e dos altos escalões do governo”, diz um trecho do telegrama secreto. “No ano passado a Polícia Federal prendeu vários indivíduos envolvidos em atividades suspeitas de financiamento de terrorismo mas baseou essas prisões em acusações de tráfico de drogas ou evasão fical”. A PF e a Abin sempre compartilham essas informações com as agências americanas, diz o relato.

O mesmo telegrama de Sobel cita dois exemplos. Em 2007, a PF teria preso um potencial faclitador terrorista sunita que operava primordialmente em Santa Catarina sob acusação de entrar no país sem declarar fundos – e estaria trabalhano pela sua deportação. A operação Byblos, que desmantelou uma quadrilha de falsifcação de documentos brasileiros no Rio de Janeiro para libaneses também é citada como exemplo de operação de contra-terrorismo.

Será que o governo sabe?

O Brasil não tem legislação específica sobre terrorismo, em parte por causa do legado da ditadura militar, que taxa oposicionistas de terroristas. A demora do Executivo em enviar um projeto de lei sobre tema ao Congresso desagrada aos americanos, como mostra outro relatório, enviado por Sobel em 11 de abril de 2008 (See Cable 08BRASILIA504).

Nele, o embaixador comenta com surpresa o comentário de José Antonio de Macedo Soares, secretário-adjunto do Gabinete de Segurança Institucional, de que o Brasil compartilha todas as informações referentes a contraterrorismo. Ele questiona se o alto escalão do governo recebe as mesmas informações da inteligência brasileira que os EUA recebem. “Embora não possamos responder definitivamente, os comentários de Soares sugerem que esse pode ser o caso e que, apesar das negativas, eles reconhecem os problemas potenciais que o Brasil enfrenta”.

Outra possibilidade seria que o governo tem acesso às informações, mas não as consideram evidência de ação terrorista. “Isso significa que ou estão jogando conosco ou consideram terrorismo apenas fora do Brasil”.

Duplo discurso

Outro documento publicado pelo WikiLeaks traz a mais recente avaliação da política brasileira de combate ao terrorismo, de 31 de dezembro de 2009 (See Cable 09BRASILIA1540). Nele, a Ministra Conselheira da Embaixada Lisa Kubiske reitera a existência de “dois discursos separados” no Brasil: enquanto o governo nega, a polícia monitora e colabora em operações de contraterrorismo. Ela cita como exemplo a prisão, em maio daquele ano, de um integrante da Al Qaeda.

A prisão foi feita pela PF em São Paulo durante uma pretensa investogação sobre células nazistas. O libanês, conhecido como “senhor K”, foi preso sob acusação de racismo. Para a PF, ele coordenava uma célula de comunicação e recrutamento da Al Qaeda em São Paulo.

Na época, o presidente Lula se negou a comentar o assunto.

No seu telegrama Lisa Kubiske avalia como positivo o fato a notícia ter vindo a público. Ela também elogia o Ministério das Relações Exteriores por ter admitido que terroristas podem se interessar no Brasil por causa das Olimpíadas de 2016.

Entre outras coisas, o relatório de dezembro de 2009 elogia atuação do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) ligado ao Ministério da Fazenda, chamando-o de “eficiente”.

De fato, diversos documentos obtidos pelo Wikileaks mostram que o COAF tem colaborado bastante com o governo americano, investigando bens de diversos suspeitos de terrorismo. Entretanto, como aponta Lisa Kubiske, até o final de 2009 nenhum bem ou propriedade havia sido encontrado. O telegrama serviu de base para a avaliação oficial dos EUA sobre o Brasil em 2010.

Os documentos fazem parte de 251 mil telegramas enviados pelas embaixadas americanas de todo o mundo ao Departamento de Estado entre 1966 e 2010 que serão publicados pelo WikiLeaks nas próximas semanas.