“O Baile da Saudade da União Soviética”

Publicado: julho 18, 2010 em Mundo
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“Quando um sindicato do crime convence um Estado poderoso a concordar ou cooperar com suas negociatas, tem em mãos a senha mágica para a gruta dos tesouros de Aladim. Porque não existe organização criminosa mais bem-sucedida do que a que conta com apoio estatal”

Misha Glenny

 

Sexo, drogas e ex-comunistas bilionários.

Ao entrar no setor bancário, a Solntsevo [facção mafiosa russa] e os principais sindicatos do crime tornaram-se ainda mais próximos dos oligarcas. Juntos, estabeleceram novos e exuberantes padrões de mau gosto para celebrar a posição recém-conquistada entre os super-ricos do mundo.

Para exibir sua riqueza, eles adoravam dar festas extravagantes.

No verao de 2004, um alto executivo do ramo do petróleo ofereceu um Baile da Saudade da União Soviética em um chatêu nos arredores de Paris. Foi uma celebraçao espetacularmente irônica do sistema cuja queda havia proporcionado a sua estonteante prosperidade.

Camponeses franceses fantasiados de trabalhadores das fazendas coletivas soviéticas dos anos de 1930 dirigiam tratores ao redor da fonte bem na frente da mansão.

Canções heróicas que na era soviética exortavam a classe operária a aumentar sua produtividade saíam dos alto-falantes. Debaixo dos sobretudos e dos uniformes do velho Konsolmol soviético, os convidados vestiam as mais luxuosas roupas de grife. Para recebê-los no salão principal, um imponente conjunto de foice e martelo que cobriam a maior parte da fachada do chatêu.

Do lado de dentro, saltitando entre cascatas de champanhe e carreiras de cocaína (cuidadosamente preparadas e prontas para uso), mulheres de minisaias com fendas que abriam e exibiam seus traseiros ocasionalmente se contorciam à batida marcial de Defensores do Cerco de Leningrado ou algo do gênero. Quadros e bustos de Lênin, Stálin e Brejnev fuzilavam com os olhos aquela bacanal antiproletária que ridicularizava sua memória.

A festa custou centanas de milhares de dolares – uma respeitável quantia para a maioria de nós e uma fortuna inimaginável para todos os russos, exceto uma pequena camarilha deles.

Para completar, havia o custo de dois grandes aviões de passageiros fretados para trazer a maior parte dos convidados de Moscou naquele dia e levá-los de volta dois dias depois.

Havia uma hierarquia na festa; a maioria dos convidados tinha acesso a uma variedade de divertimentos em diferentes salas, mas apenas uns poucos privilegiados podiam participar do núcleo central. Às portas desse santuário, os fotógrafos paravam de fazer fotos e as câmeras paravam de filmar enquanto os oligarcas, lá dentro, contemplavam seus bilhões e o que fazer para multiplicá-los ainda mais.

O Baile da Saudade da União Soviética foi apenas o aperitivo de um banquete orgiástico que nunca tinha fim para os oligarcas e suas comitivas – familias, amigos, advogados, vilões, relações públicas, políticos e artistas.

Até hoje eles migram de Marselha para Miami, de Atenas para Ashkelod e de Tóquio para o Taiti em busca de prazeres ainda mais escandalosos.

Trecho do livro McMáfia – crime sem fronteiras.

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comentários
  1. Jenoveva disse:

    festinha boa ein………e a russas? uiuiui

  2. […] ‘O baile da despedida da União Soviética’ […]

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